Sim, vale a pena viajar com um bebê

Acho muito engraçado como as pessoas tendem a querer mandar ou sugerir regras para as nossas vidas baseadas em assuntos que não conhecem com profundida ou apenas a partir de coisas que elas julgam apropriadas para a vida delas.

Quando engravidei tinha acabado de emitir passagens para a viagem que eu sempre sonhei pré-baby e acabou virando a nossa babymoon: a Ásia. Por algum tempo, sofremos com a indecisão entre manter ou não a viagem. Mas o grande motivo não era a gestação, mas sim o fato dela estar agendada para o terceiro trimestre e muito próximo das semanas em que as companhias aéreas não permitem o voo de gestante. Mas nós tínhamos uma equipe médica ótima que em nenhum momento nos disse que a viagem no terceiro trimestre seria um problema, caso toda a gestação fosse tranquila.

Conseguimos fazer nossa babymoon e tudo ocorreu tão bem que achamos que depois dessa experiência os pitacos acabariam. Mas é claro que não pararam.

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Então, quando marcamos a nossa primeira viagem com a Laura para um outro país e ela tendo apenas 9 meses ouvimos muitos comentários que ou diziam que eramos malucos ou que eramos corajosos, o que no fundo quer dizer quase a mesma coisa.

Por conta de todos esses pitacos, resolvemos deixar claro porque acreditamos que devemos viajar com a nossa bebê.

1- Tati, a Laura não vai lembrar de nada!
Sim, nós sabemos. Mas nós vamos. Vamos lembrar de cada sorriso que ela deu a ver uma coisa diferente. Vamos lembrar da interação dela com as pessoas. Vamos lembrar dela colocando os seus pés na areia pela primeira vez e vamos ter muitas fotos desses momentos para quando ela entender possa “lembrar” de como se divertiu. E possa pensar em conhecer novamente o lugar…

2- Mas dá trabalho viajar com um bebê!
E não dá trabalho cuidar dele em casa também!? Como ouvimos muito por aí preferimos ter trabalho viajando do que apenas dentro do nosso apartamento seguindo aquela rotina do dia a dia em que as vezes a gente não consegue nem tomar um banho com calma. Uma rotina em que somos consumidos e quando vemos o dia já acabou.

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3- Como vocês vão fazer com a alimentação dela?
Quando viajamos Laura estava com 9 meses, ela já tinha passado pelos primeiros meses da introdução alimentar e comia super bem. Então, não nos preocupamos muito com esse ponto, afinal, em qualquer lugar do mundo a gente vai ter que comer, não é verdade. O que nos preocupávamos era sempre que chegávamos no local em descobrir onde conseguiríamos comprar bastante frutas. Em alguns lugares reservamos hotéis com cozinha, mas na prática um bom restaurante, com opções de legumes do vapor serviu bastante pra gente. E quando era um pouco mais difícil, ficávamos nas frutas e no leite sem grandes dilemas ou dramas. Logo estaríamos em casa e a rotina de alimentação voltaria ao normal.

3- Vocês vão deixar de fazer passeio de adulto na viagem!
Olha, eu acho que passeios de adulto é bem relativo. Aliás, os gostos de viagens são bem relativos. Nós mesmo, o Bruno e eu, temos gostos de viagens um pouco diferentes. Ele adora viagens com natureza. Eu também gosto, mas adoro museus. Não perco a oportunidade de entrar em um. Então, ao longo dos nossos anos fomos encontrando o nosso modo de viagem que deu certo.

Com a Laura sabemos que teremos que nos adaptar, sabemos que algumas coisas serão feitas, outras não e outras num ritmo mais lento. Mas qual o problema disso?! No final, o que importa é a experiência de viajar, não é mesmo?!

Vai dizer que não vale a pena viajar com bebê?!

Vai dizer que não vale a pena viajar com bebê?!

Por exemplo, passamos 15 dias no Uruguai com a Laura. Fomos de Carmelo, sim, visitamos muitas vinícolas com uma bebê, a Punta del Diablo. O único lugar que sentimos que não exploramos o suficiente foi Montevidéu. Não conseguimos ir a alguns museus que nos indicaram, mas fizemos a visita guiada do Teatro Solis com ela no ErgoBaby. Confesso que teve um momento que achei que não fosse dar certo, mas deu. Ela se manteve tranquila e nós fizemos o que queríamos. Mas, se por acaso, ela começasse a atrapalhar a visita nós simplesmente desistiríamos e sairíamos, simples assim… Sem dramas, sem forçar algo, sem perturbar a visita dos outros.

Pretendo voltar a Montevidéu para ir nos lugares que não conseguimos. Quem sabe não é uma boa oportunidade para quando ela estiver maiorzinha e podemos mostrar alguns lugares que ela esteve antes. Ou mesmo em uma futura só nós dois sem ela.

4- Você vão gastar dinheiro viajando para ela não aproveitar. Vão então pra um hotel fazenda.
Primeiro,  diríamos que viajar não é bem gastar dinheiro. É um investimento. Se para nós, que já temos experiência no assunto, a cada viagem voltamos diferentes, com mais experiências, com novos aprendizados, mais simpáticos as necessidades do outro. Imagina para uma criança, um ser humano em formação. Imagina como essas experiências podem influenciar no olhar de mundo dela…

E,  não estamos dizendo que nunca iremos para umhotel fazenda (afinal, somos pessoas que nunca dizem nunca, vai que uma boa oportunidade aparece). Só estamos dizendo que esse é investimento que achamos que vale a pena, para nós e para ela.

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5- Acho que você vai expor ela a riscos apenas pelo seu capricho de viajar.
Pois, é! Já ouvi essa frase de verdade. Na vida real, eu ignorei. Mas aqui, no meu mundo, posso dizer que viajar não é um capricho. É uma quase uma necessidade básica. Portanto, não estamos expondo nossa bebê a nenhum risco além do que ela já esteja exposta vivendo numa cidade grande como o Rio de Janeiro. Em nossas viagens, ela vai a parques, praças, museus, anda de carro, come em restaurantes e hotéis e dorme em camas. Tudo exatamente como faz na sua rotina normal. A única grande diferença são os voos, mas que grande risco há nisso?! Se fosse arriscado nem adultos iriam, não é?!

Poderíamos continuar listando um grande número de pitacos que ouvimos, mas vamos parar por aqui (Aliás, se quiserem contribuir, só deixar alguns nos comentários que vamos editando esse post!) porque achamos que já deixamos claro que para nós há muitos pontos positivos em viajar e por esse motivo vamos continuar por aqui compartilhando nossas experiências nesse novo formato de viagem que estamos explorando.

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Viagem realizada em Outubro de 2017.

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Tatiane Dias

Tatiane Dias

A cada dia me desapego mais e mais de bens materiais. A vida nos mostra que mais importante que ter é viver. Por isso, cada brecha que temos já começo a pensar em algum lugar pra ir seja no Rio ou fora dele.

22 Comments

  1. Ótimo texto e excelentes justificativas!
    Acabei de entrar no mundo da maternidade e já estou ouvindo vários pitacos como esses.
    Só nós sabemos o que é o melhor pra gente e para os nossos filhos e as viagens só têm a agregar.
    Vocês são uma inspiração!
    Beijos

  2. que post tão incrível e esclarecedor. Eu não sou mãe, mas uma coisa que nunca faço é dar pitaco na vida de mães, é realmente inspirador, e deveríamos fazer coisas que nos façam sentir bem e deixar pra lá críticas infundadas. Parabéns pelo post!

  3. Tá igual eu, viajo com meu cachorro e as pessoas ficam questionando que sou doida pq o pet incomoda, atrapalha, é perigos etc… sendo que adoro viajar com minja pet e nada do que os outros falarem vai mudar pq é assim que sou feliz

  4. Assino por baixo do seu post. No que se refere a filhos, os outros têm sempre conselhos a dar, mesmo que não sejam pedidos, seja sobre viagens ou qualquer outro assunto.
    Viajar é uma forma linda de educar para a tolerância, a curiosidade e o amor ao próximo
    Abraço

  5. As pessoas se preocupam demais sem nunca nem ter tentado…. Vocês estão certíssimos, é uma questão de adaptação e vontade. Passei um ano viajando pela Ásia e sempre via os europeus com crianças de todas as idades (às vezes 5 de uma vez apenas com os pais e tudo dava certo) e em todos os lugares. Sempre que alguém me diz, ah, não vou para Ásia com criança porque é perigoso, não vão se adaptar à comida e etc e tal, só dou aquele sorrisinho de lado e lembro desses pais que preferem enfrentar a vida e vive-la intensamente!

  6. Não tenho bebê e acho SUPER desafiador e corajoso quem viaja com eles… Parabéns, pela atitude e por contar melhor sobre a experiência, que muitos acham ser impossível mas você prova que não é! =)

  7. Ótimo texto. É bom tirar o mito de que criança não pode viajar. Acho que vivemos em uma sociedade em que os pais se adaptam aos interesses dos filhos, vivendo só em função das vontades dos filhos. Isso não é ruim, mas não precisa ser a regra. Você mostrou exatamente isso!

  8. Bravo! Adorei seu posicionamento e seus argumentos! Se eu um dia for mãe, creio que agirei como vocês. Sabe de uma coisa curiosa? Moro na Dinamarca, e por aqui o povo é muuuito mais tranquilo com criança, no sentido de sair de casa com o bebê super novinho (com dias), deixar dormindo no carrinho do lado de fora (no frio), deixar no chão (e cai chupeta, e bota na boca, e bota a mão suja na boca), não dão tanto banho, e por aí vai. E tá todo mundo aqui, lindo, feliz e saudável! Percebi que os brasileiros tem uma tendência a criar os filhos numa bolha (além de palpitar muito na vida dos outros, né?). Enfim, acho que quem fala muito, viajou pouco na vida. Quem viaja, sempre aprende a ver as coisas sob outras perspectivas, e aprende a ser mais de boas com tudo. Né?
    Um beijo pra vocês e pra minha xará 🙂

  9. Olha, eu me sinto a Glória Pires aqui: não sou capaz de opinar. Eu não tenho filhos então cai no que você disse, né? Muito fácil opinar sem ter conhecimento no assunto. Mas acho também que as pessoas deviam parar de se intrometer tanto na vida dos outros… que coisa chata! Se vocês curtiram a experiência, é o que importa!

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